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ONU revela que o Paraná tem mais de 100 mil crianças autistas

Foto: Bem Paraná

Nesta terça-feira (2) celebra-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, um transtorno no desenvolvimento do cérebro que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

Criado em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data tem o intuito de alertar as sociedades e seus governantes sobre a doença, a fim derrubar preconceitos e esclarecer a população sobre os Transtornos de Especto Autista (TEA).

Embora não existam dados oficiais sobre a prevalência do transtorno no país, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir de estudos internacionais, estima que existam 2 milhões de autistas no Brasil. Por extrapolação, então, temos que, somente no Paraná, seriam 108.863 pessoas que apresentam traços de autismo, o equivalente a 0,96% da população do estado.

O transtorno do desenvolvimento é marcado por três características fundamentais: inabilidade para interagir socialmente; dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos; e padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Pessoas de todas as classes sociais e etnias são acometidas, sendo que o grau de comprometimento varia de leve a grave, de acordo com a capacidade (ou incapacidade) do paciente manter contato interpessoal.

Embora a etiologia (ou seja, a causa) do TEA ainda não seja totalmente conhecida, investiga-se a relação do transtorno com substâncias químicas relacionadas ao meio ambiente, agentes infecciosos, fatores nutricionais, idade gestacional, baixo peso ao nascimento, infecções maternas, estresses físicos e psicológicos e influência de fatores genéticos. Ademais, existe certo consenso entre os especialistas de que esta doença é decorrente de disfunções do sistema nervoso central (SNC), que levam a uma alteração no padrão do desenvolvimento da criança.

Um estudo feito em 2017 por Roberto Gaspari Beck, mestre em Ciências da Saúde, apontou o estado do Paraná como tendo a maior prevalência de TEA na região Sul. O estudo, publicado em 2017, analisou 1.254 casos do transtorno, com prevalência estimada em 4,32 casos a cada 10.000 nascimentos no Paraná, enquanto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina as taxas verificadas foram de 3,31 e 3,94, respectivamente. Ademais, verificou-se uma razão de 2,2 casos do sexo masculino para cada caso do sexo feminino.

Nos últimos anos, inclusive, o diagnóstico de TEA tem crescido em todo o mundo. Até pouco tempo, estimava-se que uma a cada 500 crianças no mundo possuía o transtorno. Hoje, já são uma a cada 88 crianças, segundo estudo feito nos Estados Unidos. Tal aumento, porém, não indica necessariamente que mais pessoas estejam sendo acometidas. Em verdade, é um reflexo das mudanças no diagnóstico e aumento da conscientização sobre o transtorno.

Pioneiro, Estado prepara censo sobre o autismo

O Paraná tem se destacado como pioneiro quando o assunto é o TEA. No ano passado, por exemplo, foi lançado o Programa de Atenção ao Autismo, voltado às pessoas com autismo e suas famílias. Além da capacitação dos profissionais da Rede Pública, de pais e cuidadores e do Cadastro da pessoa com TEA, o programa prevê ainda a realização de um censo, cujo intuito é determinar, de forma mais precisa, quantos pessoas apresentam traços de autismo.

Curitiba servirá de piloto para o programa, que aos poucos será ampliado para todos os 399 municípios paranaenses. A expectativa do governo é, nos próximos cinco anos, impactar todas as crianças com autismo entre 2 e 9 anos de idade, melhorando a vida das pessoas nas áreas em que elas mais precisam.

Fonte: Bem Paraná / CGN Notícias/Cascavel-PR/Ricardo Oliveira

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