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Abuso sexual infantil e as possíveis consequências no decorrer da vida da vítima

Abuso sexual infantil e as possíveis consequências no decorrer da vida da vítima / Foto: Reprodução Google

Sobre o tema abuso sexual infantil nas relações familiares e intrafamiliares e suas possíveis sequelas, como consequências da violência praticada por adultos contra crianças/adolescentes, justifica-se a importância sobre estes diálogos visto que esta forma de violência deixa marcas não apenas físicas, mas principalmente psíquicas e morais ainda maiores quando ocorre no próprio ambiente familiar, em surdina, sem testemunhas, a não ser a própria criança vítima do abuso.

Buscamos abarcar em nossa pesquisa, o contexto da criança em suas relações familiares diretas e indiretas quanto aos conteúdos psíquicos residuais do referido sobre abuso sexual, possíveis traumas e sequelas que deste crime podem restar.

Furlan et al, (2011) preconiza “[…] o abuso sexual infantil como sendo qualquer ato sexual para com uma criança com a finalidade obtenção de prazer sexual” (p. 199). Seguindo a fala dos autores acima, a exploração sexual infanto-juvenil, como determina o Conselho Federal de Psicologia CFP (2009), caracteriza-se pela relação de exploração e poder a qual o corpo da criança ou adolescente é abusado e ofertado, vendido a fim de obtenção de proveito deste, bem como para satisfazer a demanda de consumidores do mercado do sexo.

A contextualização sobre o abuso sexual infantil que retratamos aqui é uma condição que se arrasta com o passar dos tempos, aja vista no passado os acontecimentos deste viés eram situações extremamente veladas, diante da família para com a sociedade. No entanto, estudos e pesquisas evidenciam os prejuízos sofridos por crianças e adolescentes, na medida em que não exista uma formação familiar sustentável em seus processos, quer seja em nível de socialização, quer no desenvolvimento emocional, físico e afetivo na sua vida presente e subsequente.

Nesta busca de alternativas subjacentes à doutrina da proteção integral e na garantia do direito à convivência familiar e sua devida proteção, direito fundamental e constitucional. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei Federal 8.069/1990), temos o que descreve em seu bojo o artigo 3o do Estatuto:

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. (grifo nosso)

Na contemporaneidade se percebe um número de casos alarmantes publicamente anunciados, e, mesmo diante de todo o arcabouço de leis e campanhas voltadas especificamente elaborados para esse núcleo de cidadãos, todavia, não se percebe redução significativa nos fatos dos abusos sexuais de crianças, adolescentes e jovens. A Carvalho (2012) ressalta que os abusos sexuais sempre foram praticados, em todos os tempos da nossa história, inclusive em todas as classes sociais, frisam ainda que o abuso sexual é um dos mais custosos em se detectar, pois se apoia na utilização abusiva de autoridade que o adulto tem sobre a criança.

Foto: Reprodução Google

Tal prática poderá também acontecer no contexto intrafamiliar, tendo em vista que o abusador tenha um relacionamento muito próximo dos entes familiares e com a vítima. O fato também ocorre quando o abusador mantém um laço extrafamiliar, ou ainda ser praticado por um estranho.

Carvalho (2012, p.181) destaca: “há casos de abuso que não são conhecidos por ninguém, além dos protagonistas do ato, devido ao medo da vítima revelar o segredo, e assim perpetuado o poder do seu algoz”.

Assim, percebe-se que existe uma tendência do abusador, por ser uma pessoa próxima ou se não os próprios familiares, que se aproxima aos poucos, e sem a criança entender o que esta acontecendo, acaba por ser abusada sexualmente, e, quando percebem que há algo errado, elas se calam, por se sentirem inseguras e desprotegidas ou ameaçadas.

Essas condições violam gravemente a lei da natureza humana, pois a criança dentro do contexto histórico da humanidade é a única criatura que necessita de proteção desde seu nascimento até o início da vida adulta, onde cabe a todos os cidadãos fazer com que a proteção e garantia integral da criança e do adolescente por eixos extremamente importantes para que cresçam como indivíduos com coragem, autonomia, respeito e dignidade. Expresso no artigo 5º do ECA:

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais (grifo nosso).

Consequentemente, quanto aos atos praticados como abuso sexual, estes podem vir a influenciar diretamente no desenvolvimento da criança, adolescente e jovem de diversas formas, sendo que, em algumas situações podem acarretar pouco efeito ou nenhum efeito visível, isto é, algo que esteja expresso no corpo físico, contudo, na contramão podem vir a desenvolver graves problemas, comportamentais, emocionais e/ou psicossociais.

Com isso, temos as instituições familiares, governamentais, não governamentais e a sociedade como responsáveis diretos e também corresponsáveis, neste processo de pavimentar um novo paradigma de proteção à criança e ao adolescente, fazendo com que as legislações neste diapasão se façam cumprir, independente de quaisquer situações que possam vir a surgir ao que se refira à criança e ao adolescente.

Araújo (2004), trata a respeito da reação da família referente ao abuso também pode ser significativa, porque é preciso acolher a vítima, oferecer apoio, não intensificar o seu sofrimento e principalmente acreditar na capacidade de recuperação dessa criança ou adolescente para assim ter menos sequelas emocionas.

Foto: Reprodução Google

Por fim, para que se possa amenizar o sofrimento do abuso na vida da criança é fundamental que a acolhida do profissional da Psicologia, frente a essa criança ou adolescente que tenha sido vítima de exploração sexual, seja feita com uma escuta extremamente empática partindo do primeiro momento, criando assim um laço afetivo, mas ao mesmo tempo também respeitando sua vontade de contar ou não sua história, acompanhando-o mesmo durante aos processos judiciais, na tentativa de protegê-lo de traumas psíquicos ainda maiores.

O Conselho Federal Psicologia (2009) relata que o psicólogo deve propiciar uma escuta atenta oportunizando a emergência de significados ocultos ou inconscientes. É o profissional que exercerá o trabalho com sentimentos e subjetividade da crianças/adolescentes vitimizados e suas famílias – criando ambiente favorável ao resgate da autoestima, à reconstrução de relações afetivas, à reconstrução de significados acerca da vivência, à compreensão em relação à dinâmica familiar.

Texto produzido por:

Bruna Aparecida França

Acadêmica do curso de Psicologia pela Universidade Paranaense- Unipar.

Estagiária pela Secretaria Municipal de Assistência Social – SCFV Idosos de Umuarama -PR.

Endereço eletrônico: brunafrancapsico@gmail.com

 

Bárbara Cossettin Costa Beber Brunini

Psicóloga graduada pela Universidade Paranaense – UNIPAR (1996). Especialista em Adolescência pela PUC do Paraná. Especialista em Programa Saúde da Família pela Universidade Gama Filho. Mestre em Ciências da Educação pela UTCD. Mestre em Psicologia e Sociedade pela UNESP. Atualmente é professora da Universidade Paranaense. Psicóloga da Prefeitura Municipal de Icaraíma onde exerce nas áreas de Psicologia em saúde pública e Psicologia jurídica. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia e Saúde Pública e Psicologia Jurídica, atuando principalmente nos seguintes temas: psicologia e saúde pública, diversidade e direitos humanos e psicologia jurídica. Professora da Escola de Magistratura do Paraná. Professora de Pós-Graduação. Colunista do Jornal Caderno Jurídico.

Endereço eletrônico: barbrunini@unipar.br

REFERÊNCIAS:

ABRAPIA, A. B. M. P. I. A. Abuso sexual contra crianças e adolescentes, mitos e realidades. 3 ed. Petrópolis: Editora Autores & Agentes & Associados,2002.

BARBOSA, G. F.Formas de prevenir a violência sexual contra a criança na escola- um olhar da psicanálise e da saúde pública.2008. 100 p. Dissertação de Mestrado- Universidade Veiga de Almeida. Rio de Janeiro. CARVALHO, N. C. M. (Coordenadora). Psicologia e Justiça: Infância, adolescência e família. 1ª ed. Curitiba-PR: Juruá Editora, 2012, 281 p.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP) Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias: referências para a atuação do psicólogo. Brasília- DF 1ª ed. 2009. Disponível em http://crepop.pol.org.br/novo/wp-content/uploads/2010/11/Livro_ServicoProtecao_11mar.pdf. Acesso em 11 de outubro de 2014.

BRASIL, Estatuto da criança e adolescente lei federal nº 8.069, 13 de julho de 1990. Secretaria Nacional de Promoção dos direitos da criança e do adolescente. Brasília/DF, 7ª edição, p.12, 2012.

HUL, D. M. J; CAVALINI, S. F. S. Consequências do abuso sexual infantil no processo de desenvolvimento da criança: contribuições da teoria psicanalítica. In: VII Jornada de iniciação científica. 2011. São Paulo. Anais da VII Jornada de iniciação científica. São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie. 2011. P. 1-22.

PFEIFFER, L.; SALVAGNI, E. P. Visão atual do abuso sexual na infância e adolescência.Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 81, n.5, p. 197-204, 2005.

FURLAN, F. et al. Violência sexual infantil: a dialética abusador/abusado e o sistema de enfrentamento: Vivências, v. 7, n. 13, p. 198-208, out. 2011.

KAPLAN, H. I,&SADOCK, B. J. Compêndio de psiquiatria. 2ª ed. Porto Alegre, Artes Médicas, 1990.*

Fonte: ATRIBUNANEWS.COM.BR

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2 Comentários

  1. Jao Pedro Cabeleiro

    Acho que lí errado. pois o Titulo dizia: “…as possíveis consequências…” e não ví nada disso.. passei batido? que paragrafo está? Obrigado

    • “Consequentemente, quanto aos atos praticados como abuso sexual, estes podem vir a influenciar diretamente no desenvolvimento da criança, adolescente e jovem de diversas formas, sendo que, em algumas situações podem acarretar pouco efeito ou nenhum efeito visível, isto é, algo que esteja expresso no corpo físico, contudo, na contramão podem vir a desenvolver graves problemas, comportamentais, emocionais e/ou psicossociais.”