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C.Vale – Dia da Mulher; Fé e Cooperativismo contra o coronavírus

Altair de Pádua e Márcia Sônego, ao lado de Nossa senhora da Aparecida / Foto: Imprensa C.Vale

Oração e atividades de cooperativas ajudam a enfrentar pandemia de Covid-19.

A carreata era de perder de vista. Só dava para ver as luzes dos veículos e a empolgação frenética das buzinas. Parecia festa. Mas era festa. Festa do renascimento. Da vitória. Da vida! Foi assim que os moradores da pacata Terra Roxa, no oeste do Paraná, deram as boas-vindas a sua ilustre moradora, que ficou adormecida por 47 dias num leito de UTI. Motivo: Covid-19.

As últimas palavras da professora e associada da C.Vale, Márcia Sônego de Pádua, antes de ser entubada, no dia 2 de setembro de 2020, soava como uma despedida típica de quem previa o pior. “Rafa, fala ‘pro’ seu pai que eu amo muito ele. Amo você e seus irmãos. Parem de brigar! Fala ‘pro’ vô e a vó que eu amo muito eles também. Não quero que ninguém brigue por herança. As minhas joias estão…você entendeu filha…”. Minutos depois a voz que ecoava por todos os cantos da vida de centenas de pessoas foi abafada por um sedativo potente.

Na realidade, Márcia não se recorda deste episódio. Uma amnésia divina a poupou de tal angústia. Em contrapartida, familiares e amigos sentiram o sofrimento arrastado de altos e baixos por quase dois meses. “Ela é um milagre de Deus e da medicina”, constata, emocionado, Altair de Pádua, abraçando e acariciando a esposa num gesto de devoção pela graça alcançada. Cercado pelos filhos e netos, com a voz embargada, continuou. “O que ia ser de mim, da nossa família? Ela é tudo ‘pra’ nós”, questionando e respondendo com os olhos marejados.

UNIÃO PELA FÉ

Márcia e Altair são casados há 38 anos.  Dessa união nasceram Andreza, Rafaella, Amanda e Júnior, e os netos Ana Júlia, João Fernando, Giovana e Mariana. Naturalmente, os Pádua já eram muito unidos. O Covid veio para estreitar ainda mais os laços de família. As duas filhas que moravam em outros municípios retornaram para a cidade dos pais. “Minha vó é tudo pra mim. É minha segunda mãe”, resume, emocionada, a neta mais velha, Ana Júlia.

Quem não rezava, aprendeu. A comoção pelo restabelecimento da saúde de Márcia contagiou gente de todos os cantos. Dois grupos de WhatsApp foram criados para repasse de notícias e orações. Durante uma semana, 24 horas por dia, amigos e parentes se revezavam no altar para rezar a novena do Cerco de Jericó. Os evangélicos e protestantes se uniram em oração. Para os devotos de Nossa Senhora, no dia 12 de outubro a cura foi anunciada. “A fé não tem explicação. Ela só preenche nossos corações e nos enche de esperança”, diz a recém-formada médica, Rafaella.

Ela conta que a impotência de não poder ajudar a mãe com seu oficio foi traumática. O máximo que pode fazer foi interagir melhor com o corpo clínico. “Minha mãe sonhou comigo esse diploma. Não aceitava a possibilidade de ela não estar lá para comemorar isso comigo”, emociona-se a doutora, que celebrou a vida e sua colação de grau com a mãe na plateia.

RENASCIMENTO

Antes da oficialização da contaminação pelo coronavírus, Márcia sentia muitas dores lombares, a ponto de trocar o colchão achando que era coluna. Por precaução e histórico com hipertensão, diabete e sobrepeso, se isolou e fez o teste do Covid. Entre os exames, a tomografia demonstrou que 70% do seu pulmão já estavam tomados por uma fibrose. Em menos de 24 horas do diagnóstico foi entubada num leito de UTI. “Foi tudo muito rápido. Não tivemos tempo ‘pra’ nada”, recorda Amanda.  Márcia é secretária de Educação, Cultura, Esporte e Assistência Social. Segundo ela, ninguém de sua equipe ou familiares foi contaminado.

Familiarizada com seu prontuário, Márcia diz que “voou” baixo e teve que ser reanimada por duas vezes pelos médicos. “Coloquei o pé na cova e saí. Hoje celebro duas datas: 28 de julho, quando nasci, e 14 de outubro, quando renasci, aos 56 anos de idade.”

Os primeiros dias em casa foram de reabilitação. Não tinha forças e nem coordenação motora para sustentar a própria cabeça. A respiração ainda era auxiliada por balão de oxigênio portátil. Fisioterapia, fonoaudilogia e alimentação balanceada ajudaram na recuperação. “O que me colocou de pé mesmo, sem nenhuma sequela, foi a união, o amor e a fé da minha família e da comunidade que orou muito por mim”, revela, com gratidão, a devota de Nossa Senhora Aparecida.

DEVANEIOS DE UM COMA

Márcia não recorda de praticamente nada do período em que ficou em coma, mas se lembra de alguns sonhos bem inusitados. “Acordei fora da casinha”, revela, com bom humor, seus devaneios inconscientes. Segundo ela, antes do Covid estava com alguns quilinhos a mais. Quando acordou tinha perdido 11 quilos. Coincidentemente, sonhou que tinha feito uma cirurgia plástica em pleno voo para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. “Achei que estava acordando da anestesia, linda e plena. Passei a mão no meu corpo e estava sequinho.” Márcia, que é filha de japonesa, sonhou que seu caçula tinha se tornado pai. “Nos meus sonhos era um mesticinho lindo.” O barulho da máquina de oxigênio soava como uma chuvinha contínua e serena. “Agradeci a Deus pela chuva estar apagando o incêndio no Pantanal.”  Outro sonho que está inspirando os filhos a tornar realidade é uma viagem com o marido.  “Estava com um chapéu lindo, enorme, num lugar maravilhoso. Era muito real. Estava muito feliz”, descreve Márcia.

Márcia e Altair com os filhos e netos: família mais unida após a pandemia / Foto: Imprensa C.Vale

Fonte: Imprensa C.Vale

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