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Atualmente lançar um novo nome no sertanejo não custa menos de R$ 2 milhões, diz empresário

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Chegar ao sucesso de Luan Santana e Lucas Lucco precisa de muito investimento / Foto montagem: AgNews

Em 2015 — e 2016 já mostra que não será diferente —, a música sertaneja provou sua força mercadológica ao dominar as listas de músicas mais tocadas nas rádios e praticamente monopolizar o segmento de show no Brasil. Essa condição não chega a ser uma surpresa ou novidade. Nos últimos quinze anos, os demais gêneros perderam bastante espaço na mídia enquanto o sertanejo se transformou na música oficial das festas e baladas do País.

Essa dominação é fruto de investimentos financeiros pesados. Escritórios artísticos e grupos empresariais de diversos ramos da agropecuária e indústria investem verdadeiras fortunas em artistas sertanejos com a esperança de encontrar um novo ídolo.

Mas afinal, qual o processo e quanto custa transformar um cantor em astro do porte de Lucas Lucco e Luan Santana? Segundo produtores e empresários do ramo, essa é uma das perguntas mais difíceis de ser respondida. Não existe uma fórmula mágica e pronta para transformar o ídolo local que se destaca em um bar de universidade em um pop star.

Independente do quanto for investido para criar uma carreira, é preciso de muito planejamento para aplicar o dinheiro. Anderson Ricardo, o empresário que descobriu Luan Santana e CEO da Ar Live, explica que os caminhos a serem seguidos são bastante relativos.

— O que serviu para um, talvez não sirva para o outro. Toda historia é uma historia, não consigo dar um numero exato de quanto é preciso para lançar um artista porque depende de muitos pontos, mas posso te garantir que precisa de muito dinheiro. E se esse dinheiro vai retornar? Só Deus sabe.

O produtor Zé Renato Mioto, um dos responsáveis pelo sucesso de João Carreiro e Capataz, tenta se aproximar de um número para garantir a manutenção de uma carreira em evidência no início.

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Zé Renato Mioto / Foto: Reprodução Facebook

— É difícil falar de numeros exatos. Ja vi artistas gastarem mais de 10 milhões e não terem retorno algum. Por outro lado, vi artistas gastarem pouquíssimo usando apenas a força da internet e terem mais resultados. Penso que se voce tiver um artista bom, com uma boa voz, carisma, um ótimo CD com no mínimo quatro músicas boas para trabalhar durante o ano, R$ 2 milhões seria um investimento inicial ideal, lembrando que os investimentos não param por aí e o retorno nem sempre vem. No final de tudo, dinheiro ajuda, mas quem escolho é o povo.

Quem quer ser um astro?

Decidir quem é a nova aposta dos escritórios e empresários endinheirados é uma tarefa difícil. O músico pode ser ótimo como cantor, mas não ser bonito suficiente para o projeto imaginado. Ou pode ser bonito e talentoso, mas apresentar problemas de comportamento.
Para evidenciar os pontos positivos e reparar os negativos, alguns artistas passam por um período de experiência de até dois anos antes de serem lançados no mercado “oficial”. É o caso por exemplo de Marcos e Belutti.

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Marcos e Belutti demoraram sete anos para estourar no sertanejo / Foto: Divulgação

Descobertos pelos cantores Edson e Bruno em 2007, eles passaram por várias etapas e chegaram ao primeiro escalão do sertanejo sete anos depois, com um contrato com o escritório de Sorocaba e o sucesso deDomingo de Manhã. Edson, da dupla com Hudson e empresário de Thyago, comenta que é importante não acelerar as coisas.

— Beleza passa, grana acaba, mas o talento fica. Nossa dupla mesmo, depois de se separar, precisou recomeçar do zero. Não adianta achar que copiar o estilo do cantor do momento vai garantir sucesso para todo mundo. Não adianta comprar ônibus envelopado antes de ter música e disco. Artista precisa de direcionamento e projeto a longo prazo.

O produtor Fabrício Alves, comenta que entre os processos desse projeto a longo prazo estão aulas de canto, fonoaudiólogo, personal stylist, dentista, hair stylist, tratamentos estéticos e personal trainer. O músico também quase sempre muda de residência, ganha um salário e um carro.

— O artista é um produto, que tem um grupo de investidores visando retorno financeiro. O segredo não é fazer sucesso relâmpago, o segredo é se manter, dar sequência ao trabalho. Tem gente que emplaca um sucesso e acha que não precisará mais de ajuda profissional a partir de então. Não é assim.

Mas e a música?

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Cristiano Araújo e Leo Rodriguez brigaram publicamente pelo hit “Bara Berê” / Foto: Divulgação

Música é um bem valioso no mercado sertanejo. Como hoje poucos cantores são também compositores, existe uma verdadeira disputa pelos prováveis hits que são oferecidos. Há compositores que criam até leilões para liberar uma música. Cristiano Araújo e Leo Rodriguez foram alvos de compositores que liberaram a mesma música para os dois. Resultado: eles brigaram pelo hit Bara Berê em público. Nesse assunto, definitivamente quem der mais, leva. Anderson Ricardo comenta que já passou por experiências positivas e negativas com autores.

— Eu conheço pessoalmente compositor que vendeu exclusividade para três artistas diferentes! Mas também conheço compositor que honrou a palavra, e deixou que um artista em início de carreira mantivesse a exclusividade mesmo com muitos medalhões em cima para gravar! Não tem como garantir que uma pessoa honre sua palavra. Um bom contrato e escolher as pessoas que você trabalha é fundamental.

Zé Renato Mioto garante, porém, que perder a disputa por uma música não é algo tão grave na atualidade. Para ele, a quantidade de novos hits disponíveis parece inesgotável.

— Hoje temos muitos compositores no mercado. Às vezes uma musica que é “ruim” para algum artista, pode ser ótima para outro, estourar e virar hit. E quando você achar o hit, deve pedir exclusividade para o compositor imediatamente. Para isso, se paga um valor mais alto como garantia.

Edson alerta, porém, que essa decisão de escolher a música deve ser tomada em comum acordo entre artista, empresário e um diretor artístico.

— Hoje quem molda as carreiras são escritórios e não gravadoras. E muitas vezes sobra experiência em administração e falta conhecimento musical para esses profissionais.

Cada música de trabalho tem duração média de três meses na rádio. Após esse período, Fabrício Alves diz que é recomendável escolher um novo single com potencial de sucesso.

— Antes da mídia digital, um disco era trabalhado por até dois anos. Hoje, o artista lança uma música e na mesma semana já está atrás do novo “pipoco” e até gravando em estúdio.

O empresário é o vilão?

Recentemente, artistas romperam com empresários após atingir o sucesso. Aconteceu com Paula Fernandes, que deixou o escritório de Leonardo. E também com Anitta e Lexa, que abandonaram a K2L por divergências profissionais.

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Com salário de R$ 3 mil, Lexa abandonou empresária / Foto: Divulgação

Mas ao assinar com um escritório, o artista em início de carreira acaba por aceitar contratos leoninos, nos quais é apenas um empregado do empresário até que os investimentos iniciais sejam recuperados. Nessa fase, o artista recebe um salário.

Lexa, por exemplo, ganhava R$ 3 mil por mês enquanto era gerenciada por Kamilla Fialho. Bruno e Barretto ainda dividiam apartamento quando o sucesso chegou.

Por conta disso, muitos empresários são vistos como carrascos pelos artistas e opinião pública. Anderson Ricardo acrescenta que os empresário também tem papel fundamental em mudar a vida pessoal do artista. E isso é outro fator que pode desgastar a figura do profissional.

— O empresário nunca pode esquecer que seus artistas são seres humanos com sentimentos e opiniões próprias e ainda, opiniões que vem de seus familiares. O grande segredo é manter o equilíbrio. Isso é a maior dificuldade de muitos empresários, pois alguns artistas gostam de pessoas bajuladores e que falem sempre sim para eles. E o papel do empresário muitas vezes é falar não. Principalmente se a vontade pessoal do artista ir contra o projeto de carreira. Isso pode manchar a imagem do artista. Por isso, às vezes, há um desgaste natural da figura do empresário.

Outro cuidado que se toma é sobre a exposição que os artistas têm nas redes sociais. Fabricio diz que a equipe do músico costuma recomendar que não haja manifestações polêmicas e abordagens de temas como política (que também devem ser evitadas em entrevistas).

— O assessor ensinará o “artista” a se comportar, a falar, a se expressar. Para muitos escritórios e artistas isto tudo parece estranho ou desnecessário, mas faz a diferença no resultado final.

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Fonte: R7/Helder Maldonado

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