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Imagem de jovens praticando esporte próximo a corpos de vítimas de queda da ciclovia causa perplexidade

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Curiosos observam corpos de duas vítimas do acidente na ciclovia Tim Maia enquanto jovens jogam altinho ao fundo / Foto: Guilherme Leporace

Dezenas de pessoas estavam ao redor dos dois corpos estendidos na areia de São Conrado. Havia um silêncio respeitoso enquanto a viúva do engenheiro Eduardo Marinho se despedia do marido, com a cabeça ensanguentada e o peito rasgado pelo embate nas pedras. Alguns choravam diante do inesperado, naquele feriado de sol no Rio que deveria ser de alegria. Com o passar dos minutos, a cena se tornou bizarra: garotos tiravam selfies em frente aos corpos, e uma roda de altinho logo se formou. Quem chegava à praia estendia cadeiras e guarda-sóis ao redor das duas vítimas. Foram três horas assim, com os corpos cobertos por cangas de praia.

— A gente é egoísta. Não sente a dor que não é nossa. Isso me deixa muito triste, é o egoísmo do homem — opina Ana Lúcia Jesus da Silva, de 34 anos, funcionária do quiosque Bendita Onda, em frente ao início da ciclovia que atravessa a Avenida Niemeyer e a uma curta distância do local de desabamento.

No dia seguinte ao desastre que matou, até o momento, duas pessoas, o mar ainda batia com força na estrutura que não resistiu à ressaca de quinta-feira, produzindo estrondo e temor. A cada onda, o chão naquele trecho do calçadão tremia, embora menos do que na véspera. Muitas pessoas voltaram ao palco da tragédia tentando entender o que se passara. Para algumas, a imagem da roda de futebol ao redor das vítimas só não foi mais chocante do que o desastre em si.

— Isso não é normal. Parece que estamos perdendo a sensibilidade. Tudo é banalizado hoje em dia, até a morte — afirma o médico aposentado Alexander Magalhães, morador de São Conrado.

Os corpos ficaram tanto tempo na areia, debaixo do sol quente, que a maré subiu até alcançá-los. As ondas levavam os cadáveres de um lado para o outro, enquanto curiosos paravam para registrar o momento e publicar nas redes sociais. O estudante Carlos Henrique Pereira, de 16 anos, praticante de bodyboard, foi à praia nos dois dias para aproveitar as ondas grandes. Mal viu os corpos no chão.

— Não parei para ficar olhando. Não gosto dessas coisas, tenho medo de gente morta. Só quero que os culpados sejam punidos — disse o garoto, com um grupo de amigos que lamentava ter “perdido a bagunça” da véspera.

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Fonte: O Globo

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